A última ‘bruxa’ a ser queimada viva era inocente: cidade pede perdão 360 anos após sua morte

POR STUART DOWELL

Terapeutas que ajudam idosos com demência foram às ruas de Gdańsk ontem para reencenar o momento em que a última bruxa da cidade foi queimada viva na fogueira – para tentar convencer os conselheiros locais a limpar seu nome 360 ​​anos após sua morte.

A suposta feiticeira Anna Kruger, de 88 anos, foi queimada com força no que hoje é Targ Węgielny em Gdańsk, diante de uma multidão latente, depois de ter sido considerada culpada de bruxaria por vereadores locais.

O caso foi instaurado contra ela depois que os vizinhos não conseguiram entender por que a senhora de cabelos grisalhos não havia morrido de varíola, apesar do vírus ter abatido muitos membros mais jovens e saudáveis ​​da comunidade local.

O fato de ela morar perto de uma casa para os doentes com a doença também levantou suspeitas de que a magia era o motivo de sua imunidade.

Domínio Público

Outros vizinhos também a consideravam responsável pelo fato de suas vacas caírem mortas como moscas, acreditando que a velha havia lançado um feitiço nos animais.

Em 9 de dezembro de 1659, a velha senhora, aterrorizada e frágil, foi conduzida por um carrasco que a amarrou a uma estaca cercada por lenha. Apesar de ter sido torturada cruelmente, ela manteve sua inocência por um longo tempo. Membros do clero tentaram salvar sua alma, incentivando-a a confessar, mas ela permaneceu inflexível e jogou de volta citações bíblicas para eles.

Isso apenas alimentou sua ira, pois acreditavam que uma mulher pobre e sem instrução só poderia ter adquirido um conhecimento tão amplo das escrituras do diabo.

Eventualmente, a velha senhora fraca se dobrou quando lhe foram mostrados os instrumentos de tortura que seus acusadores estavam prestes a aplicar.

O terrível evento de 360 ​​anos atrás aconteceu ontem, no que é hoje Targ Węgielny, em Gdańsk. Museu Histórico de Gdańsk

Pinças para puxar seios, ferros de marcar e um dispositivo conhecido como cabra, no qual as vítimas estavam sentadas, enquanto os pesos eram progressivamente presos às pernas, que eram auxiliares da lei populares na época.

Ela finalmente admitiu a feitiçaria, dizendo que tinha aprendido com o marido e que havia começado no dia de São Nicolau. O espírito maligno que disse possuir recebeu o nome de Claus.

Em 9 de dezembro de 1659, a velhinha aterrorizada e frágil foi levada para a praça por um carrasco, que a amarrou a uma estaca cercada por lenha.

Antes de acender a pira, em um ato de misericórdia, ele colocou um pequeno saco de pólvora no manto dela, logo abaixo do coração.

Beata Pawlik

Quando as chamas começaram a subir na fogueira, acenderam o pó, poupando Kruger de mais agonia.

Embora os eventos tenham ocorrido vários séculos atrás, para alguns na cidade a injustiça ainda queima. Beata Pawlik, da Fundação Spellbound [fundacja Zaczarowani], disse à TFN: “Não acreditamos que as pessoas que foram queimadas na fogueira estejam realmente envolvidas em magia. Essas pessoas eram simplesmente diferentes das outras.

“Se vemos hoje alguém que está agindo de forma estranha, que tem uma doença mental, que é um sem-teto, um cigano, não os queimamos na fogueira, mas evitamos, talvez os coloque em uma instituição. Nós os excluímos de nossas vidas e nos isolamos deles. ”

Beata Pawlik

“O destino de Anna Kruger é importante porque ela é um símbolo daqueles que são diferentes. Muito sugere que Kruger sofria de demência. Ela tinha 88 anos, murmurava baixinho e parecia estranha ”, acrescentou.

Ontem, perto do local onde ocorreu o espetáculo macabro no século XVII, a fundação encenou a execução pública. Desta vez, porém, havia duas Anna Krugers. Uma delas foi a histórica Anna que falou sobre seu medo e incompreensão do que estava prestes a acontecer com ela.

Domínio público

A outra Anna simbolizava uma pessoa contemporânea que também expressava seu medo e falta de compreensão do mundo ao seu redor.

Enquanto isso, três juízes condenaram a sentença, privando sua liberdade.

Ao longo dos anos, a fundação tentou convencer os vereadores de Gdańsk a reabilitar Kruger como uma maneira de destacar a exclusão social. Até agora, porém, os membros do conselho não demonstraram muito interesse, citando falta de tempo, e também que o atual conselho não é o sucessor legal do conselho que condenou a velha há quase 400 anos.

No entanto, segundo Pawlik, Gdańsk deve se orgulhar de seu histórico. “Gdańsk abandonou a queima de mulheres acusadas de bruxaria 140 anos antes do que em outras partes da Europa. Deveríamos nos orgulhar disso ”, disse ela.

Anna Kruger não foi a última mulher a ser acusada de manter contato com o diabo na área. Onze anos depois, Wolbrecht Hellinsche, vivendo em Wisłoujście, foi considerada culpada, mas em vez de ser queimada, foi exilada da cidade. Essa abordagem mais branda veio depois que o Papa pediu maior restrição ao lidar com casos de bruxaria.

Essa matéria apareceu primeiro no Empório das Bruxas. Leia o original aqui.

O CEMITÉRIO E A ARTE DAS BRUXAS

Algumas vezes, precisamos ver a morte para nos lembrarmos de nossa pequeneza. Basta uma rápida caminhada por entre covas para relembrarmos de nosso futuro iminente. Vez ou outra, vejo as crianças felizes correndo, uma visão do que seria o paraíso para aqueles que agora estão em sono profundo. Num lugar como esse pessoas “normais” veem a morte em tudo, mas observando com atenção, logo se nota que os pais de três crianças pedem para elas que respeitem os mortos, quase que como um pedido para que façam o mesmo no futuro por eles. As crianças, por sua vez, brincam nas árvores e correm por entre os túmulos, mas nenhuma delas vê a morte ou um espírito ali, logo voltam a brincar normalmente.
Quero que entenda que todos vivemos em mundo diferentes caro peregrino. O mundo em que você vive é diferente do meu, e cada um desses mundos é único, pois apesar de encontrarmos pessoas com ideias e personalidades muito semelhantes, não quer dizer que seremos assim para sempre. Todos somos seres psíquicos e todos temos capacidade de nos conectarmos a diferentes mundos, em maior ou menor escala, não há segredo. Porém certos mundos e formas de ver o nosso mundo só são acessíveis em certas condições, o que torna isso um mistério, afinal não há uma receita geral, mas a experiência pessoal aliada à prática e o desejo. 
Quando caminho pelo Prado dos Mortos vejo um mundo de potenciais, um reino de poderes e fraquezas, um universo completo de transformações e revoluções. Entre lágrimas e risos, entre nascimentos e mortes, o apodrecer e a frutificação, um mundo de eterna transiência se encontra, por isso se diz que tudo o que a morte toca vira poder.
Nesse terreno onde a natureza, o tempo e a morte se unem podemos contemplar não só as lápides, mas a nós mesmos. Os cemitérios são tão cheios quanto as cidades e tal como nós os mortos também possuem seus próprios costumes e sua própria sociedade. Certa vez um espírito me disse que somos nós os vivos que estamos mortos, pois desperdiçamos a vida em relações abusivas, em empregos medíocres e levamos a vida muitas vezes sem rumo. Se soubessemos que a morte não espera nada, se soubessemos a importância disso viveriamos tudo livremente, sem medo e sem nenhuma vergonha.

“Somente a idéia da morte dá ao homem o desapego suficiente para ser capaz de não render-se a nada. Um homem assim sabe que sua morte o está perseguindo e que não lhe dará tempo para agarrar-se a nada. Então ele experimenta, sem ânsias, tudo de tudo.” ~Carlos Castaneda

Em nossa sociedade o homem comum, como os pais das crianças, chegam a velhice e se costumam se preprar para a morte, como se nada mais houvesse na vida para viver, quando na verdade ele somente fez tudo o que as pessoas comum fazem. Acreditar que já se viveu tudo é colocar a morte em sua porta, é dizer a si mesmo que você não merece viver.
Nosso mundo é incompreensivel, mas observá-lo poderá lhe dar chaves preciosas para cantos ocultos de sua alma. Se você observar verdadeiramente, você irá aprender que devemos receber o mundo como ele é: um mistério. E bem, somos todos loucos vivendo um mundo de mistérios – ou nos jogamos nessa enorme aventura, ou nos dispomos na lista de espera da morte.
Aprender sobre os mortos é aprender sobre uma vida mais digna, pois uma vez que nos dispomos a respeitar ao invés de temer nos colocamos numa situação de aprendizado e de poder. Os covardes jamais terão a menor vista que seja da importância e do quão longo é o processo da morte em nossas sociedades.

Porém quero que entendam buscadores, quando nos dispomos aos mortos eles nos veem também e é aí que somos testados, será que somos tão selvagens e ferozes ao ponto de sermos capazes de compreender e controlar os espíritos imemoriais e sem forma que rondam as noites frias? Independente de sua resposta ser sim ou não lembre-se que antes do medo deve vir o respeito. É como cutucar o leão com a vara curta. Muitas vezes o problema não é o espírito, mas nossas atitudes.

A vida é maravilhosa, ela é completa e suficiente, é nosso maior bem, nossa maior jornada e nosso maior desafio em nossa existência cósmica, da mesma forma a morte é simplesmente o desatar do fio que o Destino atou no exato momento de nosso nascimento. 
Mme. Leonora

O DEUS CHIFRUDO DAS BRUXAS

 
Conhecido por muitos como o Mestre Chifrudo, o Deus das Bruxas é, por seu poder mágico, o nosso professor travesso, assim dito por constantemente nos colocar num caminho de desafios. Conforme o tempo passa, através das estações do Poder Mágico Natural, muitos são os nomes e faces que o poder divino do Deus das Bruxas pode assumir. Encontrar-se com ele é encontrar transformação em seu caminho…
Nos antigos tempos ele foi chamado de Dhul’Qarnayn, literalmente “aquele que porta dois chifres”, cujos ritos envolviam não só os chifres, mas mantos negros e palavras estranhas advindas dos espíritos. Os chifres, para povos antigos como os do Oriente Médio, representavam uma forma de antena capaz de captar as mensagens divinas e celestes, muitas vezes associada a Lua, como é o caso da vaca e do boi, dois animais associados a lua. Alias, a palavra divel, traduzido como ‘santo’, deu origem a palavra Devil (diabo em inglês). 

Outros podem dizer que ele foi Lúcifer, um apelido dado a diversos deuses e deusas mundo afora, inclusive para Cristo, durante as celebrações da Páscoa. O Portador da Luz é muitas vezes o arquétipo do Conhecimento e da Sabedoria, bem como da Iluminação, ele é associado ao Messias bem como ao líder dos anjos caídos, descrito por grupos gnósticos da época de Cristo como o primeiro salvador da humanidade: aquele que nos libertou do sono letárgico que o Éden causava. O povo Yezidi considera Melek Taus (que significa “rei” ou “anjo” e “taus” significa “pavão”) o anjo-deus regente de nossa dimensão física. O anjo pavão é a figura central, ele é o benevolente e criativo poder celeste que rege todas as coisas neste mundo. Ele é visto como arrependido depois da queda da graça de Deus, e suas lágrimas extinguiram o fogo do inferno, libertando a humanidade do sofrimento eterno. Entre os gregos ele foi Prometeu (literalmente ‘o previdente” aquele que vê antes…”), que se rebelou contra a ordem dos deuses e doou o fogo para a humanidade que vivia em eterno inverno, e com isso caiu da graça divina…
Continua…

Mme. Leonora