Dentro de nossa fé ainda hoje sobrevivem resquícios do passado, um deles é nosso sacramento, tão copiado pelos cristãos em sua ceia, ou mesmo o sinal da cruz, simbolo de nossas encruzilhadas sagradas. Em tempos antigos, a carne da caça sempre era divida com todos na comunidade, o vinho, ou outra bebida, era sempre presente para alegrar os sentidos. Não distante desse simples modo de vida, os clérigos também imolavam animais para os deuses e muitas vezes, partiam a carne com os presentes, pois comer da carne de um sacrifício para um deus era um modo de ser tomado por ele. Os tempos mudam, isso é um fato, mas certas coisas são imortais e jamais perecem, este é o caso do Sacramento. 

O Sacramento é um momento de comunhão sagrada entre o humano e o divino, nos dias de hoje nossa carne é por vezes o pão feito por nossas mãos, ou um bolo com ervas e cogumelos especiais que nos permitem ser tomados pelos poderosos deuses de nossa fé. Ao ingerir o pão e o vinho, que simboliza o sangue, nos unimos com a Carne de Nosso Rei Divino e bebemos do Sangue de Nossa Mãe Negra, o Pai e a Mãe de nossa Congregação Oculta. Desde já deixo claro que entre as bruxas, uns podem usar pão e vinho, outros usam ervas da terra, unguentos, beberagens… cada um encontra seu modo de comungar com os deuses e espíritos de sua terra. 
Quando o Pai Astuto de nossa Arte e a Grande Escuridão se unem em nosso ser, somos tomados como filhos deles, pois ao tomar da refeição sagrada, você será consumido pelo próprio poder d’Eles. Assim, não há parte nossa que não seja de nossos deuses. 
Dentro deste bosque, e de qualquer outro lugar, há diversos seres que aqui habitam, este é o reino deles, não nosso. Aqui vivem animais, insetos, flores, musgos, fungos, cogumelos, árvores, bromélias… tantos são os filhos desta terra em que pisamos… e a cada um deles devemos respeito, afinal, como humanos, estamos destruindo não só a casa deles, mas também a nossa. Toda vez que se aproximar de um ser vivo, e isso inclui uma simples planta, seja respeitoso. A Terra nos dá tudo o que precisamos para viver. Desde o Sacramento que une o céu com a terra e os anjos com as mulheres, até a cura de todas as doenças ou a nossa própria condenação.

ORAÇÃO DE COMUNHÃO

“Rainha Eterna, Vestida de Negro,
Em minhas mãos não seguro mais o vinho, 
Mas o seu próprio sangue!
Receba-me em Teu Sagrado Útero mais vez,
Para que eu possa servir seu Desígnio Real.

Pai dos Mortos, Vestido de Branco,
Em minhas mão não seguro mais o pão,
Mas a sua própria carne!
Receba-me em Tua Sagrada Cova mais vez,
Para que eu possa servir seu Desígnio Real.

Tudo o que eu retiro,
um dia devolverei.” 

Mme. Leonora