De todas as coisas, aquela que mais nos assustam na noite escura e fria da floresta, não é a morte, mas a escuridão de nossos pensamentos que se agarra ao medo do desconhecido, daquilo que nos aguarda na soleira da porta para fora. Nossa casa é nosso refúgio, o nosso mundo, é onde parte de nossa consciência se acomoda na realidade criada por nós mesmos, mas o que é o mundo?
Você pode definir ‘mundo’ como um grande lugar cheio de pessoas, animais, árvores, rios e oceanos, mas a verdade é que você estaria sendo raso ao pensar somente isso, pois “mundo” não é nada mais que uma maneira de ‘consciência’. Existem diferentes tipos de consciência que vão desde as profundezas primordiais de suas entranhas até a superfície de sua consciência. Cada pessoa possuí sua realidade e cada ser experimenta a realidade de forma diferente, e isso é o que torna cada pessoa um universo único.
Poder é poder, e o poder é um fluxo de forma sempre mutável. Experimentar os muitos mundos de perspectivas e formas diferentes nos leva a pensar em nós mesmos como um ‘mundo’ dentro de outros. O segredo é que você realmente existe nos muitos níveis e até acessa eles mais do que pensa… você só está acostumado demais a esta realidade que você chama de ‘normal’, enquanto nega todas as outras realidades possíveis a seu redor. Como num sonho, todas elas escampam de você, os sons, as faces, todos desaparecem e se esvaem quando você acorda. Não cometa o erro de pensar de qualquer um desses mundos, ou processos, como lineares. Todos eles estão acontecendo bem agora, e isso une a todos num nível muito mais profundo. 
Parte do modo de entrar em contato com os outros mundo envolve  manter um foco monótono sobre algo, como uma planta ou focar em uma tarefa ou trabalho. Esta técnica faz parte da sutil arte da profunda contemplação, mas há outras que envolvem uma espécia de dança conhecida por certas bruxas, em que se deve ‘girar em volta de si mesmo’. Outros podem ainda utilizar o poder das plantas, especificamente dos enteogenos, as plantas sagradas que são capazes de abrir a mente daqueles que se fecharam dentro de suas realidades. Aqui, também, não cometa o erro de experimentar sem um guia estas substâncias. é um fato que as bruxas utilizaram unguentos poderosos no passado, mas mesmo estas sabiam muito mais sobre a dosagem que difere o veneno do remédio do que muitos hoje sabem. 
Muitos são os que atrevem a abrir as portas da percepção, mas poucos são os que conseguem voltar do outra lado…
Mme. Leonora