A SOMBRA EM SEU CORAÇÃO

Ouça bem peregrina, ouça bem, pois existe em todo universo uma história para se contar, mas nossa mente foi deturpada de seu poder de criar e agora tudo o que temos são as palavras. O bosque tem escrito na terra uma história, nas cascas das árvores outras mais podem ser encontradas, mas nossa mente está ocupada sendo racional demais, sem dar espaço para uma nova visão. Pense, acaso sabe o pássaro o que é longe? Ou sabem os sapos o que é aniversário? Palavras que só os humanos entendem e que desviam do mundo oculto no bosque.

Certa vez uma bruxa contou: o que você tem é o que você é, sua mente não é muito diferente da realidade que você vive. Para espanto de muitos essa é uma dura verdade, para outros essa é a chave para começar a ouvir sua alma. Muitas pessoas que vem ao meu bosque perguntam se um dia serão amadas, ou se um dia serão ricas… ou mesmo se um dia terão felicidade, mas veja, não se pode ser diferente sem mudar tudo de lugar, no mais, por mais que você lute e faça feitiços, as coisas sempre tem o mesmo resultado.

Eu sei, isso é frustrante. E a cada dia o sentimento de que algo precisa mudar cresce, mesmo sem sabermos como. Uns dizem, fiz um feitiço para X coisa e funcionou, mas para isso nada acontece… pois saiba que mesmo a simpatia mais boba funciona se o que pedimos ressoa com o que nos somos. Na verdade, enquanto vivemos, fazemos magia o tempo todo, a cada palavra, a cada ação, nós atamos um nó na corda do Destino, e fazemos isso sem saber, porque nossas mentes foram treinadas para pensar em termos humanos e se esquecer de sua imemorial origem.
“Esta grande borboleta roxa,
Na prisão das minhas mãos
Tem um aprendizado em seus olhos
Que nem um pobre tolo entende. “
William Butler Yeats
Ouvir essa voz que nos encaminha para nosso destino pode ser algo fácil ou extremamente difícil, mas podemos aos poucos compreender e mudar esse estado de dormência para a realidade ao nosso redor através da auto-observação. Pense por um momento em algo que você nota em si mesmo e que não vê nas pessoas ao seu redor, algo que incomode você… pois bem, há uma grande chance disso ser um padrão inconsciene pessoal. E se pensamos de forma mais ampla, pensemos na fome, na guerra, na destruição que assola as florestas, pois bem, esses são padrões coletivos. Você não pode mudar um padrão coletivo diretamente, mas ao mudar seus padrões inconscientes pessoais você pode mudar indiretamente o mundo. E essa é a beleza de abraçar o desconhecido e diferente com curiosidade e sem o julgamento pronto de nossas mentes.

É sua escolha se viver será algo doloroso ou prazeroso, uma escolha que todos temos e que poucos exercitam, mas nós bruxas aprendemos a viver com com gozo e orgasmo, uma liberdade que existe para além da aprovação alheia, sem negação e sem nenhuma repressão. Nós aprendemos a celebrar a miséria do mundo, aprendemos a amar o nosso sangue, a aliviar a dor, a trazer alívio para o lamento, pois ao não negar o que somos transmutamos o nosso mundo, damos espaço para uma grandiosa transformação. 

“Não há nada em uma lagarta que diga que será uma borboleta.”
Buckminster Fuller

Então não tenha vergonha da sombra em seu coração, não ofusque sua luz com o medo, seja qual for sua história, quanto mais vergonha você tiver, menos você poderá ouvir sua alma, isso impede você de ouvir o canto dos passáros ou ver a formiga trabalhando dia e noite na mata, e por fim notar que a sombra era um pequeno paraíso.

Mme. Leonora

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A Cartomancia é uma das mais antigas e famosas artes adivinhatórias. Frequentemente as pessoas desejam saberem mesmo que o mais minúsculo detalhe do futuro de modo a tirar melhor proveito dele.

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O SANTUÁRIO DAS FEITICEIRAS

Quando uma pessoa comum caminha pela floresta, tudo o que ela vê são árvores, pássaros, animais… e muitas folhas. No entanto, alguém mais atento pode encontrar na floresta segredos talhados no tronco das árvores e no canto dos passáros. A maioria das religiões existem determinados recipientes e objetos que adquirem significado sagrado e ritualístico. A Arte também possui os seus, porém como era perigoso possuir esse tipo de instrumento, a maioria deles era de natureza doméstica e comum, muitas vezes a própria natureza local era o instrumento da bruxa.
Diferente do que se imagina, boa parte das bruxas de antigamente não tinha altares em suas casas, a prática da bruxaria quase sempre ocorriam em meio à natureza selvagem. Não quero com isso dizer que altares são inutéis, muita calma, para a bruxa iniciante, e dos dias atuais, o altar é bem-vindo, pois nele as necessidades e relação com os deuses e ancestrais pode ser minimamente saciadas.
Os tempos mudaram, as pessoas mudaram, mas a Arte ainda mantém viva, nos corações de uma míriade de homens e mulheres, uma lembrança oculta, um sentimento de alegria e até um olhar admirado e quase nostálgico quando vê uma área verde, mesmo que uma praça. Nossos corpos e mentes, agarrados as facilidades dos grandes centros urbanos, nos desviam do verdadeiro livro da sabedoria e nos guiam direto para as estantes de livrarias, e o mundo moderno quase que hipnóticamente que nos diz: “porque manifestar a sabedoria que a natureza nos reserva se temos milhares de livros para ler?”.
As Sábias e os astutos feiticeiros do passado nos recordam que nossa evolução sem dúvida nos trouxe o que precisamos para superar os muitos medos e “demônios” que nos abismavam no passado, como a morte que vinha nos ventos do inverno ou a morte da jovem que acabara de engravidar. Ainda assim, toda essa evolução continua nos mantendo presos em uma realidade ilusória e quase que encantadora, um verdadeiro feitiço coletivo do qual poucos podem acordar e ver a realidade oculta a sua volta, mas para a bruxa, com seu qualidade de estar desperta, caminha entre as árvores e a escuridão e sente o caminho se abrir a sua frente. Sua coragem e ferocidade é algo reservado a poucos.
Viver na floresta é para poucos. Se você vive numa cidade pequena você entende isso. Agora, independente de você ser uma bruxa urbana ou rural, a Arte está escancarada ao seu redor. Aqueles com o dom para sentir podem facilmente ver os muitos mundos ocultos dentro do nosso. Esses mundos, muitas vezes também chamado de reinos, por serem depósitos naturais coletivos de espíritos, podem servir a bruxa para recarregar seu poder e enviar suas intenções através do universo. Cada local, como florestas, praias, parques, bosques, lagos, cemitérios, possuem seus espíritos guardiões, os verdadeiros detentores de tudo o que o busca dentro de livros caros e antigos. Tal como um bosque tem seu guardião, dentro desse bosque outros poderes também habitam, e assim, quase que infinitamente, mundo dentro de mundo se repete, como a serpente que engole o próprio rabo.
Dentro da floresta, o coaxar do sapo, o guizo da cascavel, o coricitar da coruja, o chamado do uirapuru, entre tantos outros, mostram os caminhos de mistério, contados ao pé da fogueira, sob a luz da lua, guardado nas canções de amor e de cura… ecos de caminhos da própria vida que formam o coração de cada lugar. Relembrá-los é preciso.

Como uma bruxa, cabe a você um trabalho de uma vida, coletar os mitos e lendas ao seu redor são uma dos muitas ordálias que você terá de desempenhar. Esses mitos, muitos até bobos, podem guardar não só referencias e metáforas, mas também podem servir como “instrumentos” para o trabalho de uma bruxa perspicaz.


No próximo blog, “Parte 2 – A Ponte que Ata os Mundos”.
Madame Leonora